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O Terapeuta de Rua
21/03/2012 00:00:00

João é um rapaz sensível. Onde quer que ele vá encontra sempre alguém com um problema. Por ele ser compreensivo e cordial, inevitavelmente pessoas que ele sequer conhece, iniciam suas queixas e reclamações pedindo-lhe sua opinião e conselhos. A vida, porém tornou-se complicada, porque João não consegue ter paz para lidar com seus próprios problemas. Todo mundo que o conhece e o encontra tem uma queixa e, pela ansiedade natural da vida, exige de João uma resposta imediata. João responde!

Como João, existem milhares de pessoas, que carinhosamente chamo de "terapeutas de rua". Pessoas com uma sensibilidade enorme, com uma percepção diferenciada, muito além da normal. Pessoas que vêm a vida como ela é, que vão além das aparências, que têm uma visão fora do senso comum. Geralmente pessoas "complicadas", tendendo a um pequeno desequilíbrio emocional, necessitando invariavelmente de uma maior introspecção para poder lidar com sua sensibilidade aguçada.

Ser um "terapeuta de rua" não é fácil. Sensibilidade demais sem ser canalizada torna-se um agente patológico de desequilíbrio afetivo. O indivíduo torna-se uma "esponja" energética do desequilíbrio alheio e, com isto, se não souber canalizar o que absorve, adoece física e mentalmente.

A percepção a qual nos referimos hoje, vem sendo muito estudada pela neurociência moderna. É um agente para a formação da consciência ligada a nossos cinco sentidos e a nossa intuição. Na maior parte das vezes, indivíduos com muita sensibilidade usam os cinco sentidos e a intuição sem esforço de concentração. Ideias e a percepção física são imediatas, sem necessidade de raciocínio lhes invadindo a consciência. Naturalmente, tais fenômenos associam-se com o rebaixamento de consciência e alguns "terapeutas de rua" chegam a sentir o que o outro sente, com enorme facilidade, o que na psicologia analítica chamamos de contratransferência.

O fenômeno às vezes é tão intenso, que o indivíduo tem dificuldade em perceber o que é próprio de si, e o do que é de terceiros. E até que ele aprenda a dominar sua sensibilidade e, a utilizar, vivenciará inúmeros problemas afetivos e de relacionamento.

A sensibilidade excessiva jamais pode ser vista como um agente ou sintoma patológico. Pelo contrário, é uma ferramenta incrível de crescimento pessoal, um instrumento de cura, um diferencial inestimável. A sensibilidade necessita ser lapidada e o indivíduo deve aprender a lidar com ela de uma forma positiva.

Ao longo de mais de 15 anos como professor universitário na graduação e pós-graduação em psicologia, observei que existem pessoas que se formam em psicologia, fazem todos tipos de cursos: pós graduação, mestrado, doutorado mas não tem o dom para tornarem-se bons psicoterapeutas. Mais que o conhecimento técnico, faz-se necessária a sensibilidade, uma percepção aguda, uma intensa capacidade de auto-abstração aliada a capacidade de empatia, de poder entrar e perceber o outro como ele é, além do que se apresenta. E sensibilidade nem  todos  têm, ao contrário esta sensibilidade é inata, não podendo ser adquirida tão pouco aprendida. Este diferencial nem todos terão.

Todavia, somente a sensibilidade, sem o conhecimento técnico científico, sem a lapidação, a busca do equilíbrio, sem as ferramentas práticas para seu domínio, não tem tanto valor. Um dom se não lapidado, torna-se uma maldição!!
 

Comentários

Felipe
26/10/2014 12:54:05

E o que sugere para pessoas com essa sensibilidade exacerbada... que áreas? Psicologia?

Comentários são muito bem-vindos, por favor, poste o seu! Iremos avaliá-lo e sendo um comentário construitivo publicaremos ele aqui junto ao texto.

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